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Análise sintática em concursos públicos

*Por Priscila Ferrarotto, professora da Folha Cursos

De toda a teoria gramatical da Língua Portuguesa, a análise sintática dos períodos simples e composto constitui, para muitas pessoas, a parte mais complexa, desagradável e até inútil que há para estudar.

Quanto a considerá-la complexa, elas têm razão: as numerosas classificações dos termos da oração ou das próprias orações (no caso de períodos compostos) exigem do analista, além do conhecimento da definição e das particularidades de cada função sintática, a compreensão da mensagem, por meio de informações preciosas trazidas pela:

  • Concordância
  • Regência
  • Pontuação
  • Valor semântico (o sentido) do conectivo utilizado para ligar orações ou palavras.
análise sintática em concursos públicos

Reconhecer o valor semântico do conectivo também pode ser uma etapa importante da análise sintática (Foto: Pixabay)

Análise sintática em concursos públicos é um assunto desagradável?

Já julgar a análise sintática em concursos públicos como desagradável é atribuir-lhe uma característica extremamente subjetiva.

Vale lembrar que toda aprendizagem começa na vontade de aprender. Deve-se, então, estar atento às próprias atitudes e corrigi-las, se necessário.

No caso de aprender análise sintática, deixar de repetir a si mesmo que odeia tal matéria ou nunca a entenderá é um primeiro passo muito importante.

Por fim, a consideração de que a análise sintática é algo inútil para quem, por exemplo, pretende seguir carreira pública, muitas vezes decorre da leitura de editais que não incluem a sintaxe dos períodos simples e composto no conteúdo programático das provas.

Todavia é preciso tomar cuidado com tais editais. Não raro, apenas aparentemente são sucintos: na parte gramatical, fora ortografia, acentuação e flexão de verbos e nomes, costumam exigir “só” concordância e regência (em especial a verbal, nos dois casos), colocação pronominal, crase e pontuação.

Nenhuma referência à análise sintática, certo?

A importância da pontuação na análise sintática

Mas pensemos na pontuação, por um momento. Diferente do que ocorre com a análise sintática, é unânime a consideração de que o estudo dos sinais de pontuação – sobretudo o da vírgula, o mais usado quando se escreve, o que conta com maior número de regras e o que mais se cobra em concursos – é importantíssimo para a vida profissional (e, na verdade, para a pessoal também).

Em qualquer área em que se trabalhe, textos serão produzidos e, se não apresentarem a pontuação adequada, poderão transmitir mensagens diferentes da pretendida pelo redator.

Tomemos como exemplo a seguinte situação hipotética: numa guerra, alguns soldados conseguem capturar um inimigo, mas não sabem qual das duas medidas-padrão devem tomar: apenas mantê-lo preso ou matá-lo sob tortura?

Como seu superior está temporariamente distante dali, atuando em outra região, decidem enviar uma mensagem a ele, fazendo tal pergunta. Recebem, horas depois, a seguinte mensagem: “manter em cativeiro não torturar”.

Eles percebem que falta uma vírgula, mas em que local ela deve ser colocada? Antes do “não” ou depois dele?

O uso da vírgula em cada uma dessas posições determina uma atitude diferente: a localização da vírgula implicará algum tempo a mais de vida para o prisioneiro ou a sua morte dolorosa.

E acaso existe alguma relação entre pontuação e análise sintática? Sim! Esta é um importante requisito para que se pratique aquela de maneira consciente e mais segura.

Pode-se não saber classificar, por exemplo, o sujeito da oração em agente, paciente ou reflexivo, mas deve-se saber identificá-lo na frase, a fim de que não se cometa o erro da utilização de uma vírgula para separá-lo do predicado.

Mitos sobre o uso da vírgula

Existem pessoas que optam por seguir sua respiração para determinar se haverá ou não vírgula na oração, mas isso é muito perigoso: há vezes em que a pausa é necessária num trecho da oração, mas pontuar é proibido.

Eis um exemplo: As histórias daqueles livros de muitas figuras grandes e coloridas agradam às crianças.

Pode-se dizer que a “pausa para respirar” após a palavra “coloridas” é necessária, mas isso não implica uso da vírgula, uma vez que o termo faz parte do grupo do sujeito.

A análise sintática pode não ser explicitamente exigida em muitas provas, mas, certamente, seu estudo facilitará a resolução de muitas questões.

Se ela é complexa? Certamente. Desagradável? Depende de como se decide encarar seu estudo. Inútil? De maneira alguma.


Sobre a autora

professora priscila ferrarotto

 

Priscila Ferrarotto é bacharel e concluiu licenciatura em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). É professora de gramática, texto e redação em cursos preparatórios para concursos públicos desde 2002. Também é corretora de redações e autora de materiais didáticos voltados a concursos públicos. Além disso, é professora do canal “Português no Dia a Dia”, no YouTube e no Facebook.

 

Folha Cursos

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