Psicotécnico e controle emocional são temas do FolhaCast, com Marina Beccalli

Especialista em avaliações psicológicas em concursos é a convidada do Podcast da Folha Dirigida, comandado por Douglas Schneider

No episódio do FolhaCast desta semana conversamos com Marina Beccalli, especialista em avaliações psicológicas em concursos públicos. No papo comandado por Douglas Schneider, Marina fala sobre a sua trajetória e o que a motivou a trabalhar com concursos.

Além da carreira, ela também abordou algumas técnicas que os concurseiros podem realizar para melhorar o seu desempenho nos estudos e, principalmente, na hora da prova. Outros assuntos são como as bancas fazem a avaliação psicotécnica, como fortalecer sua inteligência emocional e muito mais. 

Ficou curioso? Assista ao episódio o lei um resumo da conversa abaixo.
 

Quem é Marina Becalli?

Apesar de ser filha de pais concursados, a vontade de ser servidora pública só foi despertada em Marina durante a segunda graduação, quando fez estágio em hospital. 

Porém, a psicóloga só decidiu de fato estudar para concurso quando foi anunciado o concurso para o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Na ocasião, sua dúvida era entre dar continuidade aos estudos com um mestrado na França e entrar para o serviço público do país.

Mas a paixão pela psicologia jurídica, que veio da infância, quando seus pais se separaram, falou mais alto.

“Eu estava em um momento comum depois que a gente se forma”, conta Marina que, antes da Psicologia, chegou a começar a faculdade de Jornalismo, mas não se identificou com o curso. “O que eu faço com esse curso que eu gostei muito de fazer? O que eu vou fazer com isso aqui?”, costumava se perguntar na época.

Surpreendentemente, as matérias mais difíceis não foram as que não estava familiarizada, como as de Direito, mas sim as de Psicologia, visto que o método de cobrança era muito diferente, por serem questões objetivas em uma bibliografia muito específica cobrada nos concursos jurídicos.

Marina pode não ter passado de primeira, como acontece com a maior parte dos futuros servidores iniciantes. No entanto, se saiu tão bem no seu segundo concurso, para o Tribunal de Justiça de São Paulo, onde é servidora, que foi chamada para produzir material para o curso em que se preparou, o Estratégia, onde hoje também integra a equipe.

Branco na hora da prova

Na época em que começou a estudar, a própria Marina reconhece que não o fazia da maneira certa, já que seguia com a preparação até o cansaço bater.

“Eu tinha essa coisa de eu mesma me cobrar. Às vezes a gente é nosso maior inimigo”, recorda.

Como psicóloga especialista em concursos públicos, ela afirma que é normal que o futuro servidor se sinta intimidado por variáveis que fogem do seu controle, como quando vai ser a prova, o conteúdo que será cobrado e o nível de preparação da concorrência.

A dica que ela dá é focar em controlar o que está ao seu alcance. Nesse caso, fazer uma preparação saudável, cuidando das próprias emoções.

Segundo a psicóloga, o principal problema do ansioso é criar cenários negativos sobre ele mesmo e o que pode acontecer. Por exemplo, pensar que vai cair na prova questões sobre assuntos que não estudou ou que ele não é bom o suficiente para passar.

Pensamentos como esses podem provocar reações fisiológicas, que vão desde o famoso branco na hora da prova até dores de cabeça, azia e problemas intestinais.

Além de ter uma planejamento que envolva metas a curto, médio e longo prazo, boas noites de sono, uma boa alimentação e exercícios físicos também podem ajudar o seu corpo estar em pleno funcionamento para melhor armazenamento do conteúdo estudado e, consequentemente, melhor preparo para enfrentar o exame em questão.

Fazer simulados também pode ajudar bastante pois, segundo Marina, o nosso cérebro não distingue simulações de situações reais – por isso às vezes acordamos tão assustados de algum sonho, por exemplo.

Ao criar o que a Psicologia chama de ambientação, essa familiaridade com que o que virá a ser o cartão-resposta e a situação de prova, o candidato se sentirá menos nervoso na hora em que estiver fazendo o exame de fato.

“Quanto mais vocês se exporem a essa situação e conseguirem se organizar dentro no tempo, vocês vão estar mais bem preparados para a hora da prova”, explica.

Mas fique atento: procure sempre fazer um planejamento que se encaixe a sua realidade, para que isso não gere momentos de frustração. Outra dica importante é, dentro das suas metas de curto prazo, se recompensar com momentos de lazer. Afinal, a vida não é feita apenas de estudos.

Teste psicotécnico

Ao contrário do que muitos podem pensar, o teste psicotécnico dos concursos públicos realizado para a área de Segurança e carreiras jurídicas é bem diferente do que é feito para tirar carteira de motorista.

É importante levar em conta que, em caso como os cargos de polícia, que demandam porte de arma, as exigências são bem diferentes e mais exigentes do que as pedidas para dirigir.

No caso da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na qual os candidatos devem fazer o psicotécnico em breve, a corporação fez um mapeamento de características necessárias para o cargo, como atenção, memória, capacidade de liderança e de trabalho em equipe, entre outras.

A psicóloga destaca que o resultado do psicotécnico não é uma questão de ser aprovado ou não, mas sim de estar apto à função.

Quando se fala em carreiras policiais, deve-se considerar que elas incluem situações de risco de vida tanto para o servidor público quanto para outros envolvidos. Por isso, avaliar características como o grau de ansiedade do candidato são pontos chaves para determinar se aquela pessoa pode ou não exercer a função.

Em resumo, se a prova objetiva avalia o grau de conhecimento, o psicotécnico diz quem é o candidato. O resultado pode variar em alguns casos. Por exemplo, se o candidato vai fazer o teste cansado, o seu grau de atenção por ser avaliado como baixo para o exercício do cargo.

Uma dica da especialista é procurar um profissional que possa fazer esse tipo de acompanhamento psicológico com o candidato antes do teste do concurso. Até mesmo para, caso decida recorrer ao resultado judicialmente, ter o laudo de um psicólogo em mãos.

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